Jogos que envelheceram bem

Saudações aos leitores do portal MXStudio.

Tomando por base um post muito legal do site 1up, que fala sobre alguns games que passaram (e ainda passam) pelo teste do tempo. São games que envelheceram como vinho, ou seja, não têm vergonha da idade que tem e são até charmosos por conta disso. Acompanhem.

Aos que por algum motivo não puderam entrar no link disposto acima, faço um resuminho do tema discutido lá. Trata-se de uma lista de 12 jogos que segundo o responsável pela matéria, David Parsh, foi resultado de um consenso entre membros do staff do 1up e leitores da internet. São títulos que passaram com honra ao mérito pelo teste do tempo. Não joguei todos os games que aparecem lá, então me abstive de comentá-los. Já com os demais eu dei meus pitacos. Vamos a eles:

Concordo plenamente com a escolha. Symphony of the Night foi um game tão importante dentro da série Castlevania, que todos os games posteriores (tirando os medonhos tridimensionais) ainda partilham da mesma base. Por isso que Symphony of the Night funciona bem até hoje, inclusive pude perceber isso quando o joguei ano passado. Curioso que a primeira vez que tive contato com Symphony foi ainda na época do PS1, na casa de um amigo, local onde sempre tinha uma molecada que curtia quase todo tipo de video games. Mas justamente quando resolvi experimentar SoS, sempre ouvia comentários do tipo “parece jogo de SNES”; isso devido aos gráficos bidimensionais do jogo. Paradoxalmente, foram justamente os gráficos bidimensionais um dos responsáveis por esse charme atual do jogo, com suas sprites bem animadas e desenhadas, design de personagens de primeira e bela ambientação geral. Isso sem contar a magnífica trilha sonora do jogo.

Há apenas um porém não mencionado no texto do 1up, que é a dublagem do jogo. Além de desnecessária, é simplesmente constrangedora. Era o tipo da situação que quando acontecia eu simplesmente pulava assim que podia.

Vamos para o próximo da lista:

Está aí um joguete incompreendido e até desprezado. Se por um lado surpreendeu em plena aurora da era 3d, com sua direção de arte e estética belíssimas, também foi amaldiçoado pelos mesmos quesitos. Acusado de ser infantil e fofucho, SMW 2: Yoshi’s Island foi preterido primeiramente pelos nintendistas da época, depois pelo público em geral, que preferiu games como Donkey Kong Country 1 e 2. SMW 2 vendeu muito pouco para os padrões dos principais games Mario, sendo considerado até como um fracasso para alguns. Mas isso é história. O fato é que os principais aspectos do game envelheceram bem, sendo absolutamente jogável ainda nos dias de hoje.

Esse é mais um caso que mostra também a importância de um design bem feito, pois qualquer inovação tecnológica por trás do jogo já nada significa nos dias de hoje, enquanto que Yoshi’s Island permanece como um título com belos gráficos. Mas mais do que isso, seu design de fases, desafio e ritmo o mantém como um game apto para um jogador de qualquer geração. Foi um grande game que teve o azar de ter sido lançado na época errada, em um período que para um game ser “cool” e “hardcore” tinha que ter a sanguinolência imbecil dos Mortal Kombats e Dooms da vida. Mas esses foram enterrados pelas areias do tempo, enquanto que Yoshi’s Island continua com sua qualidade intacta.

Os próximos não são surpresa para mim:

Nem precisaria falar muito de grandiosidades como esses, afinal, como diria aquela frase do futebol, “clássico é clássico e vice-versa”. Claro que tecnicamente não chamam atenção como Yoshi’s Island (em especial o humilde SMB de NES), mas o design desses jogos foi tão excepcional que sobrevivem bem ainda hoje. Não é por acaso que ambos são imensamente populares em serviços como o Virtual Console. No caso específico de Super Mario Bros, mesmo sua aparência jurássica não é impedidivo para que gente de todas as idades ainda o joguem. Isso porque estamos falando de um game de mais de vinte anos de idade. Mas quem liga para isso com aquelas hipnóticas musiquinhas (quem ouve aquele “tã tã tã… tãrãrã” da primeira fase jamais esquece) e aquele gameplay consagrado que todo mundo está careca de saber.

No caso de Super Mario World, as 7.2432743645264354673254632 diferentes versões em Flash são uma amostra do sucesso do jogo. O eterno mascote Yoshi saiu desse jogo direto para a eterno panteão dos principais personagens de sucesso dos games. Muitas referências aparentemente comuns do universo de Mario vieram desse jogo, até mesmo os recentes trailers de Super Mario Galaxy 2 mostram um pouco disso. Super Mario World também teve seus momentos de brilhantismo, como a Star World e as enigmáticas fases da Forest of Illusion. Foi um game sensacional, e continua sensacional.

Mas esse eu separei um espacinho próprio:

Super Mario Bros 3 não foi apenas o melhor game de NES, mas foi (e ainda é) um dos melhores games de todos os tempos. NÀo gosto muito dessas designações, mas com SMB 3 eu abro uma exceção. Quando a Nintendo fez aquela promoção para baixar sem custo um game do Virtual Console, não perdi tempo e logo baixei. Terminei na mesma noite (fui muito doente nessa, confesso). Mas eu não conto, pois já passei dos vinte há seis anos. Por outro lado, basta vocês buscarem nas internets que Super Mario Bros 3 é simplesmente o jogo mais baixado do VC, número que ao se observar o público do Wii, fica difícil de imaginar que se deve a velhos jogadores.

Mas fica impossível falar de SMB 3 sem me repetir. Até porque a qualidade do game fala por si.

O próximo é outro clássico inconteste:

Mega Man 2 foi sem dúvida um marco dos video games, cujo gameplay é muito bom até hoje. Minha única discordância, porém, é que considero Mega Man 3 o melhor da série, e portanto superior a MM2. Claro que graficamente Mega Man 2 parece primitivo frente ao padrão atual, porém sua fantástica trilha sonora (Dr. Willy Stage que o diga) se mostra mais criativa e gostosa de ouvir do que centenas de games posteriores. É verdade por um lado que a série sofreu com uma gradual queda de qualidade, consequência da prostituição imposta pela Capcom. Todavia, a constante lembrança e reverência por diferentes gerações de jogadores só reforça o quanto Mega Man 2 sobrevive como uma experiência divertida e recompensadora. Isso se deve aos icônicos chefes de fase, a já citada fantástica trilha sonora e ao genial design de fases.

Seguindo…

Tem como discordar? The Legend of Zelda: A Link to the Past é daqueles jogos que deveriam ser terminados ao menos uma vez ao ano. O incrível aqui é como seu sistema de jogo até hoje não foi superado por nada que tenha vindo depois na série. Seu design sólido, alto grau desafio comparado aos títulos recentes (Wind Waker passa vergonha perto de A Link to the Past nesse quesito) e boas doses de ação o mantém sendo jogado 18 anos depois de ter sido lançado.

Mas aproveito para abrir uma confissão aqui: eu ignorei completamente esse jogo na época do SNES. Sim, é uma vergonha, podem me vaiar. Só joguei A Link to the Past há poucos anos, naquele port de GameBoy Advance. Mas mesmo assim pude perceber tudo o que havia perdido. Terminei de cabo a rabo com gosto, e pude atestar toda a qualidade da experiência, mesmo já tendo jogado quase todos os outros jogos da série. A Link to the Past é tão bom do jeito que é que nunca vi qualquer demanda por um remake do jogo. E nem precisa.

Esse é um jogo que eu preciso jogar mais. Quem sabe eu pegue esse port do DS. De qualquer forma, Chrono Trigger foi um curioso caso de game que foi, digamos, melhorando com a ação do tempo. Teve desempenho comercial discreto quando foi originalmente lançado para SNES em 1995, e não foi diferente com o primeiro port ainda no Playstation. Mas conforme os anos foram passando, foi-se formando uma base de fãs que permanecem cultuando o eterno clássico da Square. Hoje inclusive, é preciso pagar uma pequena fortuna para conseguir um cartucho de Chrono Trigger.

Meu primeiro contato com o jogo foi via emuladores ainda nos anos noventa, e instantaneamente grudei no monitor. Tal qual Mega Man 2, o aspecto do jogo que melhor sobreviveu à ação do tempo foi sua brilhante trilha sonora. Mas as demais partes do jogo ainda se seguram muito bem. Chrono Trigger é uma obra prima que pode muito bem ser comparado a RPGs posteriores, com condições de ganhar muitas dessas quedas de braço. Não é por acaso que anoa após ano ainda tem um monte de gente por aí pedindo uma continuação (Chrono Cross parece que não conta, não sei). Isso sem contar a versão 3d feita por fãs que foi encerrada forçadamente pela Square-Enix. Quem sabe um dia ela mude de idéia.

E por fim…

Tetris ao lado de alguns outros poucos títulos vai além do video game para se tornar o símbolo de uma midia. Mesmo aqueles que não tem a menor noção do que seja um video game, que não saiba a diferença entre um Playstation e um Nintendo, conhecem Tetris por alguma de suas inúmeras versões. Acho que não há outro jogo tão copiado, modificado e relançado quando o clássico russo. É incrível como um jogo tão simples e até rudimentar possa sobreviver ativo por todos esses anos.

Não apenas isso, Tetris é um game universal, fazendo sucesso com todas as idades e gente de todos os lugares possíveis. Isso porque estamos falando de algo que começou com junções de colchetes. Mesmo assim, Tetris nunca envelhece. O eterno esquema dos bloquinhos caindo continua em ação por qualquer console que seja.

Considerações finais

Por fim, apenas atento-lhes para as tradicionais menções honrosas da parte final do matéria do 1up. Há alguns games lá que certamente você conhecem bem. Só discordei do fato de Street fighter 2 e Star Craft estarem lá, e não na parte principal. Dois grandes games que continuam em muito boa forma ainda.

Vou ficando por aqui.

André V.C Franco – MXStudio.

Escrito por Andre_Franco on abril 27, 2010. Arquivado em Jogos. Você pode seguir as respostas a esse artigo pelo RSS 2.0. Você pode deixar respostas para esse artigo

1 resposta a Jogos que envelheceram bem

  1. Felipe Volpatto

    Jogo que não esqueço é 007 para nintendo 64.
    Ainda o tenho em casa e digo, não consigo enjoar do mesmo.
    São mais de 10 anos jogando e mesmo assim continua sendo divertido, principalmente quando jogo com amigos para relembrar.

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