A história dos VideoGames – Parte 3

A história dos Videogames – Parte 4

O renascimento do oriente

No começo dos anos 80 enquanto o mercado norte-americano se auto-destruía. Já no oriente, a situação era totalmente diferente. O Japão colhia os frutos pelo esforço da reconstrução do país após a segunda guerra mundial e passava por um momento de grande crescimento econômico. Esse cenário foi favorável para o desenvolvimento de tecnologia, fazendo com que o Japão ganhasse destaque mundial neste quesito. Paralelamente, os videogames seguiam o mesmo curso e faziam cada vez mais sucesso internacionalmente.
O primeiro fenômeno nipônico foi o clássico dos Árcades Space Invaders. Lançado em 1978, o game fez história devido ao seu sucesso que, de tão avassalador, causou a falta das moedas de 100 yenes em todo o país, obrigando o governo a triplicar sua produção, já que grande parte delas estava em algumas das mais de 100.000 máquinas espalhadas pelo país. O crescimento dos Árcades e Fliperamas no ocidente (principalmente durante a era de ouro) deu espaço aos jogos japoneses, que disputavam de igual para igual com os americanos a atenção dos jogadores. Alguns como Pac Man e Donkey Kong se tornaram jogos ícones de seu tempo.

Do baralho ao silício

Fundada em 1889 por Fusajiro Yamauchi, a Nintendo Koppai era uma empresa que produzia o Hanafuda (baralho típico japonês), que desde seu inicio já pensava grande. Nos anos vinte já produzia baralhos ocidentais e vendia bem nos Estados Unidos. Em 1959, a empresa fechou um acordo com a Disney para a criação de cartas com os personagens da gigante dos desenhos infantis. A mudança mais significativa ocorreria na década de 60 quando a companhia fundou o departamento de games, chefiada por Gunpey Yokoi. A divisão criou uma grande variedade de brinquedos eletrônicos de sucesso, até que em 1977 lançou o TV Color Game 6 e TV Color Game 15, console que tinha variações do jogo do Magnavox Odyssey. Os aparelhos somados venderam cerca de um milhão de unidades.
O primeiro game de sucesso da empresa foi o Donkey Kong, (criado em 1981 por Shigeru Miyamoto), que atravessou o Japão e conquistou popularidade também nos Estados Unidos. O sucesso foi tamanho que incomodou a Universal Studios, detentora dos direitos de King Kong, que se considerava vitima de plágio e processou a Nintendo. A Universal terminou derrotada no processo.

Em 1983 foi lançado o Famicom (abreviação para Family Computer) com três jogos disponíveis no Japão (Popeye, Donkey Kong e Donkey Kong JR). O desempenho foi excelente, com cerca de 500.000 unidades vendidas em pouco mais de dois meses e as produtoras japonesas rapidamente aderiram ao console, produzindo uma grande quantidade de títulos. Em 1985, Shigeru Miyamoto criou o maior fenômeno de vendas de todos os tempos: Super Mario Bros. Esse jogo foi responsável pela criação de um novo gênero, o side scrolling (plataforma com rolagem lateral da tela) e revolucionou o mercado dos videogames. Seu sucesso foi tamanho que até hoje é o maior best-seller da Nintendo com mais de quarenta milhões de cópias vendidas no mundo. Era o que faltava para o Famicom dominar o Japão criando uma febre gamística sem precedentes. O maior desafio da companhia seria levar seu console para ocidente, em especial para os Estados Unidos, cujo mercado era decadente.Com receio de que seu produto fosse rejeitado pelos americanos, ainda em 83 a Nintendo tentou firmar uma parceria com a Atari, para que esta lançasse seu aparelho nos EUA. Após meses de negociações, os executivos da Warner rejeitaram a proposta por divergência quanto aos royalties(direitos sobre uma marca) e pelo descontentamento com o fato de a Nintendo ter licenciado o game Donkey Kong para o concorrente Colecovision.A companhia japonesa não desistiu e fez algumas demonstrações em feiras de eletrônicos com seu aparelho batizado de AVS(Áudio Vídeo System), com desempenho discreto e passando despercebida.Por fim, remodelou o design do aparelho, mudou seu nome para NES (Nintendo Entertaiment System), criou uma pistola e um robô de brinquedo batizado ROB(Robot Operational Buddy), tudo para impressionar os americanos.Deu certo.

A invasão Japonesa

Em meados de 1985, o NES foi lançado com o game Super Mario Bros na caixa e as vendas foram avassaladoras. Um ano depois o console conseguiu a impressionante marca de três milhões de unidades vendidas, dobrando no ano seguinte. Com grande parte das melhores produtoras ao seu lado, toneladas de títulos foram lançados, entre os quais muitos clássicos como Contra, Ninja Gaiden, Batman, Final Fantasy, Dragon Warrior, Mega Man, entre dezenas de outros grandes games. A Nintendo não ficaria sozinha por muito tempo e outro concorrente da terra do sol nascente entrou na competição: a Sega.
Criada por Marty Bromley nos anos cinqüenta como uma distribuidora de máquinas caça níqueis, a Service Games se fundiu na década seguinte com a Rosen Enterprises de David Rosen, se tornando a SEGA. Ainda nos anos sessenta, começou a produzir seus primeiros Árcades, ganhando destaque crescente. Foi comprada pela gigante do petróleo Gulf & Western, que durante o crash dos videogames vendeu as ações americanas para a Bally e as ações japonesas para Rosen e um grupo de investidores japoneses. Estes, por sua vez, compraram a Sega U.S, formando a Sega Enterprises ltd cuja a base de operações passou a ser o Japão.

No começo dos anos oitenta a Sega já era uma marca estabelecida como produtora de clássicos dos Árcades como Hang ON, Space Harrier e Out Run, e, de olho no mercado de consoles domésticos, lançou o Sega Master System (Mark III no Japão) em 1986. Nessa época o NES tinha cerca de 90% do mercado e a maioria das produtoras terceirizadas havia assinado contratos de exclusividade para a produção dos jogos, obrigando a Sega a sustentar seu console praticamente sozinha, lutando com suas próprias forças apenas. No mesmo ano a Atari lançou o Atari 7800, na esperança de reaver o mercado que um dia já foi seu. O 7800 era mais barato que os concorrentes, mas as versões remodeladas de antigos clássicos não convenciam mais o público, que preferiu as novidades orientais. Amargando a lanterninha, o console foi descontinuado tempos depois.


A Guerra dos 16 bits

Em 1988, a Sega lançou o primeiro videogame com processador 16 bits da história, o Genesis (Mega Drive no Japão), como forma de combater o enorme sucesso do NES e antecipar a nova geração de consoles. Seu hardware parrudo lhe permitia visuais muito próximos aos melhores Árcades da época, e a prova disso era a versão do sucesso Altered Beast que vinha no pacote. Seu design futurista atraía o público pré-adolescente, fazendo-os crer o console da Nintendo era “coisa de criança”. O desempenho do aparelho no Japão foi morno, mas nos EUA o Genesis atingiu em cheio o mercado, impulsionado por campanhas de marketing agressivas e o uso de celebridades que associavam suas imagens a jogos do console, como o astro do futebol americano Joe Montana e o rei da música pop Michael Jackson. O novo console da rival não assustou a Nintendo que já preparava o sucessor para o NES, já tecnologicamente ultrapassado. No final de 1990 foi lançado o Super Famicom em território nipônico, cuja expectativa fez com que um milhão e meio de unidades fossem pré-encomendadas, a demanda superou a oferta, causando filas enormes em frente às lojas de eletrônicos com direito a tumultos e confusões. O pacote continha nada menos que a nova edição do game Mario, o Super Mario World (também conhecido como Super Mario 4), que repetiu o desempenho dos anteriores sendo novamente um best-seller. O game apresentava uma enorme evolução em relação aos jogos do NES, com um mundo multicolorido e com efeitos até então inéditos nos consoles, como transparências, zoom e rotações, graças ao chip Mode 7 contido no hardware do Super Famicom. Nove meses depois os americanos finalmente tiveram acesso ao Super Nes. Nos Estados Unidos, porém o Genesis já tinha um ano de vida, era mais barato e já dispunha de uma boa quantidade de títulos de qualidade. Em julho de 91, a Sega lançou sua arma secreta na tentativa de desequilibrar a disputa a seu favor. Foi criado um mascote que pudesse competir contra o carisma dos irmãos Mario. Ele era rápido, azul e seu nome era Sonic the Hedgehog.
Criado pelo game designer Yuji Naka, era um game de plataforma único, onde os jogadores no comando do porco espinho Sonic, atravessavam fases projetadas para dar uma sensação de velocidade nunca vista antes em um videogame. A mascote da Sega ganhou popularidade instantânea e passou a ser vendido junto com o Genesis, substituindo o game Altered Beast. A velocidade de Sonic também foi largamente utilizada como estratégia de marketing para demonstrar a superioridade do processador central do Genesis frente ao Super Nes, que apesar de ser um aparelho mais potente, tinha na CPU seu ponto fraco.

Vendo seu console ser ultrapassado pela concorrente, a Nintendo não ficou de braços cruzados e agiu para trazer os melhores games e recuperar a sua popularidade. Em 1991, a produtora japonesa Capcom lançou Street fighter 2, que era o grande sucesso dos Árcades e, até hoje, é considerado como revolucionário no gênero dos games de luta. O anúncio de que o jogo seria lançado com exclusividade para o Super Nes/Famicom gerou grande expectativa, e no ano seguinte o game foi um grande sucesso comercial. Em meados de 1992 o épico de aventura The Legend of Zelda: a Link to the Past também se tornou um clássico instantâneo e foi aclamado pelo público. Mais uma das criações de Shigeru Miyamoto, o jogo era a terceira edição do sucesso originalmente criado para o NES. O Gênesis não ficou para trás graças aos excelentes jogos esportivos que dispunha e as versões competentes dos jogos de ação oriundos dos Árcades, e o game Sonic 2 foi ainda mais popular que sua primeira edição, conseguindo vender mais de seis milhões de cartuchos em todo o mundo.
Continua na parte 4.

Copyright © 2007 André V.C Franco.

Escrito por Andre_Franco on abril 13, 2008. Arquivado em Jogos. Você pode seguir as respostas a esse artigo pelo RSS 2.0. Você pode deixar respostas para esse artigo

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