A História dos Videogames – parte 1

Saudações aos caros internautas e aos freqüentadores deste site. Antes de qualquer coisa, gostaria de dizer que é uma honra escrever neste espaço e participar deste novo conteúdo do portal MXSTUDIO. Nesta nova coluna, dedicada aos videogames, estarei abordando os mais diversos temas deste universo grandioso e apaixonante. Serão feitas análises sobre os consoles, comentários sobre artigos relacionados aos games e as novidades desta área – como grandes feiras, anúncios das principais produtoras (Nintendo, Sony, Microsoft, etc.) e curiosidades que envolvam o tema. Pretendo compartilhar um pouco do meu conhecimento, não só como pesquisador e curioso do assunto, mas também como jogador e alguém que “respira” os games desde a infância. Em 1990, ganhei meu primeiro console – um Nintendo – e hoje, aos 24, continuo como aquele garoto de sete anos, apaixonado por essa realidade virtual e todos os seus conceitos.
Como texto inaugural, falarei, resumidamente, sobre a história dos videogames, desde sua gênese até os poderosos consoles de hoje em dia, com sofisticados gráficos tridimensionais. Sem mais delongas, espero que vocês gostem e aproveitem para embarcar em 49 anos de uma história que ainda continuará a ser contada por muito tempo.

A primeira gênese

A história dos videogames começa com um fato curioso: é a única que possui dois inícios distintos e não relacionados. O princípio de tudo foi em 1958, no Laboratório Nacional de Brookhaven, em Nova Iorque. O local, uma vez por ano, era aberto à visitação e o projetista Willian A. Higinbotham – mais conhecido como Willy – procurando tornar a visita mais interessante, desenvolveu um jogo virtual batizado de Tennis for two, usando como base um osciloscópio, um computador analógico e um controle que dispunha de botão e um manche. Nascia, assim, o primeiro jogo eletrônico de que se tem noticia.

O sucesso foi enorme, e o que deveria apenas ter sido um “quebra-galho”, durou dois anos até ser substituído por outra atração mais científica. Willy, que não acreditava no potencial comercial de sua invenção, não investiu nela e prosseguiu sua carreira como cientista. Morreu em novembro de 1994.

A segunda gênese

Quatro anos depois, o programador Steve Russel, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), juntamente com sua equipe, queria explorar o novíssimo PDP-1, um computador de US$ 120.000 que havia acabado de ser desenvolvido. O objetivo deles era explorar as possibilidades de interface do monitor e criar um modo mais criativo de representar cálculos matemáticos na tela. Seis meses depois surgiu SpaceWar.
Como o próprio nome sugere, dois jogadores (não era possível ainda simular rotinas de comportamento artificial) se envolviam em uma batalha espacial em que tinham de derrotar o oponente com torpedos e, ao mesmo tempo, evitar uma representação do sol que ficava no centro da tela. Vários ajustes foram feitos e a versão final ficou bastante divertida.

Devido às limitações tecnológicas da época, era impossível a comercialização do jogo, visto que o conceito de computadores pessoais só surgiria, pelo menos, vinte anos depois. Ainda assim, algumas versões do SpaceWar adaptadas em cabines foram distribuídas em universidades norte-americanas, fazendo muito sucesso onde estivessem disponíveis. Uma das pessoas que tiveram contato com o jogo foi Ralph Baer que, anos mais tarde, seria o inventor do primeiro console doméstico da história.

O primeiro console

Ralph Baer era um engenheiro especializado em televisões que trabalhava em uma empresa militar chamada Sanders Associates. Ele tinha a idéia de inserir jogos nos aparelhos de TV como um meio de criar algo inovador. Baer trabalhou quinze anos nesse conceito, até que em 1966, durante uma viagem de ônibus, esquematizou um projeto em quatro páginas para o novo aparelho. Com a ajuda do amigo Bill Harrison, ele superou o primeiro desafio: criar um meio de transmitir o sinal do protótipo para a televisão. Com uma sacada genial, ele usou a entrada de antena para transmitir o sinal aos canais três e quatro do receptor, o que acabou se tornando o padrão nas três décadas seguintes (quem não se lembra da famigerada entrada RF?). A jogabilidade foi criada através de um sistema que transformava um quadrado vermelho na tela em azul via movimento de uma alavanca. Baer apresentou o projeto para sua empresa, a qual recusou prontamente. Apesar da negativa ele não desistiu.

Ele chamou o engenheiro Bill Rusch para participar do projeto e a idéia seguiu em frente. Foi desenvolvida também uma arma de brinquedo que atirava em pontos fixos na tela, mais tarde evoluindo para o Shooting Gallery, o primeiro jogo de tiro da história dos videogames. O conceito do “quadrado que mudava de cor” foi evoluindo até uma espécie de ping-pong ser criada e, para melhorá-lo, foram feitos alguns overlays (cartões plásticos colocados em volta da tela da televisão) que simulavam um campo de futebol ou um rinque de hockey no gelo. O protótipo foi apelidado de Brown Box. Em 1971 Baer procurou as principais fabricantes de aparelhos de televisão da época e, após meses de negociação, acabou fechando contrato com a Magnavox e, no ano seguinte, o Magnavox Odyssey 100 foi lançado nos Estados Unidos.
O console foi bem em seus primeiros meses de existência, chegando a marca de 100.000 unidades vendidas em um ano, porém caiu rapidamente e logo ficou esquecido devido a suas limitações técnicas e um boato que o aparelho só funcionava bem em televisões da própria Magnavox. Recentemente Ralph Baer foi condecorado pelo presidente estadunidense George Bush com a Medalha de Tecnologia de 2004.

O nascimento de um fenômeno

Ainda em 1972, Nolan Bushnell e Ted Dabney investiram 250 dólares cada um, contrataram um engenheiro e uma secretária e abriram uma empresa desenvolvedora de jogos denominada Atari, cujo significado remonta ao tabuleiro japonês GO. Não demorou e a Bally (grande produtora de máquinas de fliperama) encomendou um game de corrida, porém Bushnell queria mesmo era desenvolver um esportivo. A mudança não foi aceita e a Atari decidiu bancar sozinha o jogo, para testar a reação do público instalou um protótipo em um bar de Sunnyvale chamado Andy Capp’s Tavern. Um fato curioso é que o engenheiro da Atari Al Alcorn recebeu uma ligação do dono do bar reclamando que a máquina tinha dado defeito, porém quando foi verificar o problema, descobriu que na verdade a caixa de moedas tinha lotado, provando que o game era um sucesso com os freqüentadores do local. Batizado de Pong, o jogo foi lançado e se tornou um fenômeno de vendas internacional e várias empresas rivais pegaram carona no sucesso da Atari lançando clones que não tinham o mesmo brilhantismo.

A empresa cresceu e se esforçou para lançar jogos criativos e se manter líder do mercado que ela praticamente criou, e para deixar os adversários comendo poeira, lançou em 1975 o Home Pong (que era a versão doméstica do game homônimo) criando outro fenômeno internacional. Bushnell sabia que não poderia depender muito tempo do sucesso de um único jogo e no ano seguinte começou a desenvolver um novo aparelho (cujo nome de projeto era Stella) para o mercado doméstico de consoles, que se desenvolvia com o lançamento de alguns aparelhos como o Fairchild Channel F, que apesar de não ter obtido êxito comercial, contribuiu com a criação do sistema de trocas de jogos via cartuchos intercambiáveis (na época chamados de videocarts), ainda em uso. O custo do projeto encareceu e Bushnell vendeu a Atari por 28 milhões de dólares para a Warner Communications que investiu mais 100 milhões na companhia. Em 1977 foi lançado o Atari VCS (mais tarde ficou conhecido como Atari 2600) com nove jogos disponíveis em seu lançamento. O console teve um desempenho lento e não deslanchou como o previsto, o que gerou uma grande crise interna que culminou com a saída de Nolan Bushnell da empresa que ajudou a fundar. Em 1979 a Atari assinou um acordo com a produtora japonesa Taito, responsável pelo mega sucesso dos arcades Space Invaders e criou uma versão para o 2600, o primeiro “best-seller” do console e responsável por torná-lo um grande sucesso e elevar sua popularidade as nuvens. Começava a chamada “era de ouro dos videogames”.

Continua da parte 2
Copyright © 2007 André V.C Franco.

Escrito por Andre_Franco on abril 6, 2008. Arquivado em Jogos. Você pode seguir as respostas a esse artigo pelo RSS 2.0. Você pode deixar respostas para esse artigo

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>