20 anos de NEO GEO

Saudações aos leitores do portal MXStudio.

Do final dos anos setenta até o início da década de noventa, o sonho de todo console era ser um arcade. As conversões dos jogos oriundos dos grandes gabinetes para os consoles domésticos sempre eram bastante inferiores, ainda que a depender do jogo nós (jogadores das antigas) jurássemos que eram “igualzinhos aos do fliperama!” Não duvido que muitos meninos daquele período sonhavam em ter um arcade em casa, mesmo que esse sonho fosse utópico. Quando a Sega lançou o Mega Drive, um dos slogans do console era que este era capaz de levar a experiência de um arcade para a casa do jogador, embora as conversões de jogos como Golden Axe e Altered Beast fossem claramente inferiores. Foi assim até que a desconhecida (no ocidente) SNK lançou o AES NEO GEO, um console que literalmente levava a experiência para a casa dos abastados jogadores de 1990.

A experiência era de fato literal, devido ao fato do NEO GEO ser mesmo um arcade, apenas montado em uma carcaça de console. A sigla AES (Advanced Entertaiment System) servia apenas para diferenciar o console do arcade, cuja placa (lançada em 1989) se chamava MVS (Multi Video System). Como o significado da sigla sugere, o diferencial da placa de arcade da SNK era o fato de possuir seis slots para conectar as roms onde os jogos estavam gravados, quando modelos de outras empresas não passavam de no máximo quatro. Isso reduzia custos, já que um dono de arcade gastava menos com gabinetes, o que ajudou a popularizar os games da SNK. Mas o MVS não se resumia apenas a isso, pois o que realmente impressionava era sua capacidade técnica avançada em relação aos outros arcades de sua geração. A diferença ficava ainda mais evidente no plano dos consoles, pois SNES e Genesis sequer chegavam perto do NEO GEO no quesito técnico. As infames conversões que o digam:

O NEO GEO era um equipamento poderoso, com paleta de cores, capacidade de geração de sprites, velocidade, resolução superior a de seus concorrentes de 16-bits. Sem contar que enquanto os cartuchos de SNES e Genesis mal passavam os 20 megabits, os de NEO GEO ultrapassavam os 100 megabits (Art of Fighting foi o primeiro game de console e arcade e chegar essa marca). Mas cobrava um alto preço por isso, pois foi lançado pela bagatela de US$ 600, um absurdo de caro. Sem falar nos igualmente caros cartuchos. Uma curiosidade ainda sobre a parte técnica do NEO GEO, é que este foi o primeiro console a dispor de Memory Card, algo que só se tornaria padrão na geração seguinte. Por conta desses detalhes todos, o NEO GEO nunca decolou comercialmente, se tornando uma máquina voltada para um nicho de mercado, enquanto SNES e Genesis disputavam mundo afora os corações e mentes dos jogadores.

Por outro lado, durante alguns anos somente a SNK foi capaz de bater de frente com a Capcom no mundo dos Arcades, quando principalmente os games de luta eram os campeões de popularidade. Games como Fatal Fury, Samurai Shodown e The King of Fighters marcaram época em suas diversas versões. Eu mesmo gastei muitas fichas nesses games. Entretanto, esse também foi o ponto fraco da SNK, pois seus games eram restritos a poucos tipos diferentes. Tirando exceções como Super Sidekicks, Metal Slug e alguns Shmups (jogo de tiro com naves), o NEO GEO era limitado a jogos de luta. Sem contar que a SNK parou no tempo insistindo tempo demais com o mesmo equipamento, enquanto o universo dos games evoluiu. Quando a SNK se deu conta, lançou o fraquíssimo Hyper NEO GEO 64 em 1997, com alguns títulos mais fracos ainda e que ninguém deu a menor bola. No campo dos consoles, a SNK lançou o picareta NEO GEO CD, que era exatamente o mesmo equipamento de sempre apenas acrescido de um constrangedor leitor de CD de 1X (foi o leitor mais lerdo que já vi).

Eu e o NEO GEO, NEO GEO e eu

Conheci o NEO GEO jogando-o em locadoras de games em Taubaté lá no meio dos anos noventa. Realmente era impressionante ver games de arcade rodando em um console, ao mesmo que via games tecnicamente mais simples rodando em outros consoles ao lado. Sempre gostei (e ainda gosto) dos games de luta, então isso reforçava minha impressão quanto ao console. Antes dessa época, me lembro das reportagens e propagandas em revistas como Ação Games e VideoGame, e como o NEO GEO me parecia ser um aparelho tão distante e impressionante. Como a globalização também era menos presente do que é hoje, me parecia também que o NEO GEO era um daqueles aparelhos “tecnologicamente avançados que só tinham no Japão”. Igual aquele Mega Drive de 32 bits que seu primo mentiroso jurava que já tinha sido lançado no Japão.

Mas com a chegada do Saturn, Playstation e Nintendo 64, o NEO GEO foi ficando cada vez mais jogado para escanteio na locadora onde eu frequentava. Exatamente como aconteceu em geral. Mas mesmo games como Sonic 2 ou Donkey Kong Country já eram capazes de fazer o poderoso NEO GEO perder parte de seu brilho. O resto é história, vocês já sabem como termina.

De uma forma ou de outra, o NEO GEO ao menos estabeleceu para sempre sua marca na história dos games, além de ter seus clássicos. A SNK também lançou uma página-museu contando um pouco da história do console, dos games e da marca. Também vende uns produtinhos, pois ninguém é de ferro. Assim como eu agradeci à Sony e Sega quando falei o aniversário de seus consoles, também sou grato a SNK e seus clássicos de luta e ação.

Até o próximo post.

André V.C Franco – MXStudio

Escrito por Andre_Franco on março 2, 2010. Arquivado em Jogos. Você pode seguir as respostas a esse artigo pelo RSS 2.0. Você pode deixar respostas para esse artigo

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