As novas possibilidades de criação coletiva distribuída, aprendizagem cooperativa e colaboração em rede oferecidas pelo ciberespaço colocam novamente em questão o funcionamento das instituições e os modos habituais de divisão do trabalho, tanto nas empresas como nas escolas - Pierre Lévy – da minha coleção de frases;

A história humana é marcada pelo desenvolvimento de duas redes sociais, sendo que a Internet inaugura uma terceira.
Para ilustrar melhor, Vejam abaixo as duas redes, pré-Internet separadas uma das outras:

E a junção das duas para criar uma terceira, na pós-internet:

Houve, assim, uma intersecção da Rede Física e da Rede Lógica, isto é uma grande novidade, justamente ela tem deixado tonto o pessoal que comercializava produtos intangíveis nas redes físicas, através da circulação de mercadorias palpáveis: livros, cds, DVDs em livrarias bancas de jornal, cinemas, empacotando o que era intangível.
Assim, o valor dos bens intangíveis, que circulava nestas redes sociais físicas tinha um custo e era repassado, com uma grande margem de lucro.
Dominava-se, portanto, os canais da rede física, criando um monopólio, e “tudo ia bem” para quem estava no comando e mal para quem queria consumir, pois era obrigado a aceitar as regras de um jogo nem tão meritocrático.
Com a criação de uma rede da circulação de bens intangíveis (produtiva-cognitiva) esse custo despencou, pois as mercadorias intangíveis circulam a custo zero.
Muda-se completamente a lógica das coisas para esse grande mercado, que deve deixar de ser um atravessador entre as mercadorias intangíveis e o consumidor e passar a ser um incentivador de eventos – gerando de novo valor – oferecendo ao mercado aquilo que não está disponível na nova rede.

Por outro lado, a rede física, por onde circulam mercadorias tangíveis, há uma forte influência da nova rede cognitiva-produtiva.
Cada vez mais assistimos a inclusão de chips nos produtos, que passam a ser monitorados por satélites, pardais, formando um grande sistema de logística, que migram e se relacionam com o mundo da Internet.
Hoje, é possível saber tanto onde está o livro que você comprou, entre a postagem e a chegada na sua casa; como o Hospital Albert Einstein já sabe onde está cada uma das suas macas para economizar recursos.
Ver matéria “Um trilhão de sensores”, da Exame, 971 (ainda não disponível na Internet)
Segundo a Exame nessa reportagem, o MIT calcula que até 2015 teremos 1 trilhão de sensores, já que o chip, uma etiqueta que “digitaliza a mercadoria”, caiu de 2 dólares a unidade para 30 centavos de dólar.
Veja mais exemplos de uso de chips neste post.
Essa mega rede digital interconectando as outras, tenta agilizar e reduzir custos, para para sairmos da crise de inovação produtiva que nos metemos.
Soma-se a isso a incorporação dos consumidores na produção das mercadorias, na pré e pós, como na venda, ver exemplos mais abaixo.

Assim, podemos afirmar que existe hoje três redes sociais distintas, que geram bastante confusão, na hora de se pensar estratégias para a atuação corporativa.
Hoje, estamos muito mais na primeira, caminhando para a segunda e engatinhando na terceira.
Exemplos?

A rede social cognitiva “pura” é o Facebook, só comunicação, troca de ideias (apesar de já quererem colocar venda dentro dela);
A cognitiva-produtiva é a Amazon, com a venda de livros para o Kindle, que produz e vende livros digitais pela rede, unindo ao mesmo tempo a rede de cognição, produção e distribuição;
E a rede social produtiva podemos falar:
Quando se fala em trabalhar com redes sociais, seria bom perceber que existem estas três possibilidades. E o grande mistério para sair uma boa comida é saber a necessidade de cada caso e como misturar os temperos.
Corre-se o risco de se querer fazer um prato fino e sair um prato pra lá de grosso.

Nessa perspectiva, em termos de estratégia teríamos:
(É aí que está o esforço hoje dos projetos de “mídias sociais” das empresas 1,5, que ficam apenas trabalhando tudo isso no âmbito da comunicação eunuca, sem diálogo e sem envolvimento de tudo isso na produção.)

Estamos apenas engatinhando e, com certeza, ainda chamando tomada de pomada.
Que dizes?
Do site www.nepo.com.br
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