As negociações adiantadas da fusão entre a belga Interbrew e a AmBev, formando a segunda maior cervejaria global, parelha à líder Anheuser-Busch (Budweiser), provocará efeitos colaterias no mercado latino-americano. Será jogada no meio da operação a Femsa, principal engarrafadora da Coca-Cola na América Latina - e líder também no Brasil - sócia da Interbrew no ramo de cervejas. Em contraposição, a AmBev é concorrente direta da Coca-Cola, tendo à frente o Guaraná Antarctica, e a Pepsi, a quem presta serviços de distribuição no mercado local.
Embora ainda não esteja oficializada a fusão, com poucas informações oficiais a respeito do assunto, a tese mais corrente é a de uma divisão de negócios entre AmBev e Interbrew em escala continental. Os ativos da Interbrew nas Américas seriam reconfigurados na fusão, ficando a AmBev responsável por toda a região. Os belgas ficariam com o mercado principal, a Europa.
Nesse contexto, a AmBev assumiria a Labatt, subsidiária da Interbrew no Canadá, com negócios nos Estados Unidos, México e América Central. O principal deles é a participação em 30% da Femsa Cerveza, líder mexicana do mercado de cervejas, com marcas como Sol e Tecate. A Femza Cerveza representa 50,7% do volume de negócios do grupo de capital mexicano.
A segunda maior subsidiária desse conglomerado, respondendo por 28,6% das vendas totais, é a Coca-Cola Femsa, maior engarrafadora e distribuidora da Coca-Cola na América Latina e segunda maior da marca em todo o globo. A Coca-Cola Femsa é controlada em 51% pelos mexicanos, mas a própria The Coca-Cola Company detém 30% do capital da subsidiária.
"Primas" no Brasil
Em dezembro de 2002, a Coca-Cola Femsa adquiriu, em uma transação envolvendo US$ 3,6 bilhões, a complicada operação da Panamco-Spal, engarrafadora da Coca-Cola líder no Brasil e com negócios espalhados pelas Américas do Sul e Central, cuja dívida líquida alcançava a cifra de US$ 880 milhões. Desta forma, a Coca-Cola Femsa, que tinha operações concentradas no México e Argentina, entrou no Brasil, disputando mercado com a AmBev, distribuidora local de maior rival global da Coca, a Pepsi. Fora do País, a AmBev tem usado o acordo operacional com a Pepsi para viabilizar a internacional da Brahma e do Guaraná Antarctica, em mercados como a Guatemala, Porto Rico, Portugal e Espanha.
Caso seja concretizada a fusão entre a AmBev e Interbrew, haverá uma inevitável "saia justa" com a Coca-Cola. Embora do ponto de vista legal Interbrew e Coca-Cola não sejam sócias diretas, mas ligadas por subsidiárias diferentes à Femsa, a entrada da AmBev no cenário poderá criar constrangimentos éticos. A proximidade das concorrentes poderia pôr em risco segredos industriais e de estratégias de marketing em ambos os lados.
Paralelamente, esse efeito colateral da fusão poderá levantar questionamentos das autoridades brasileiras com relação à concentração de mercado. Uma aproximação, ainda que indireta, entre Coca-Cola em AmBev, ocorrerá em um momento de aparente endurecimento do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre aquisições que provoquem fortes concentrações econômicas, a exemplo do recente veto integral à fusão entre Nestlé e Garoto.
Curiosidades da fusão
A união entre Interbrew e AmBev trará ainda outros efeitos curiosos no mercado cervejeiro das Américas. A canadense Molson, que vem sofrendo para ganhar mercado no Brasil por meio da Kaiser, poderá ser forçada a sentir a concorrência da AmBev dentro de casa, caso a empresa brasileira assuma a Labatt na América do Norte.
No campo das marcas, outra curiosidade: no México, a Femsa Cerveza tem em seu portfólio de marcas a Bohemia, até com a grafia idêntica à do produto premium da AmBev.
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AmBev poderá ser 'prima' da Coca-Cola no Brasil
#2
Posted 03 March 2004 - 09:33 PM

é galerinha confimadisssimooooooooo
agora não tem pra ninguém os caras sao os donos da cerva (rs) PDF do documento anunciando a aliança entre a AMBEV e a Interbrew
Coletiva da Ambev
#4
Posted 04 March 2004 - 09:19 AM
É o que tá pegando no momento!
Muito bom desbancar a cervejaria americana, acho que será uma união feliz, a infra estrutura promete muito.
Abraços,
Muito bom desbancar a cervejaria americana, acho que será uma união feliz, a infra estrutura promete muito.
Abraços,
#5
Posted 04 March 2004 - 02:02 PM
| QUOTE (Baldwin @ 4/3/2004 08:03:58) |
| É o que tá pegando no momento! Muito bom desbancar a cervejaria americana, acho que será uma união feliz, a infra estrutura promete muito. Abraços, |
Isso é verdade, é pode até gerar novos empregos melhorando a economia do Brasil
#6
Posted 04 March 2004 - 05:27 PM
é pessoal começou a briga mas na boa cá pra nós se rolar muita fusão vai rolar um monopolio da cerveja

Schin quer vetar fusão das cervejarias no Cade
Assim como o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) proibiu a fusão entre as empresas Nestlé e Garoto, o diretor jurídico da cervejaria Schincariol, Vinícius Camargo da Silva, acredita que também vetará a união da Ambev com a belga Interbrew. "Entendo que o caminho natural seja vetar essa fusão".
Apesar da indignação pela dominação de mercado relevante que a união das duas cervejarias causaria, diz Silva, a Schincariol ainda analisa o assunto e não tomou qualquer decisão junto ao Cade, mas espera que o Conselho mesmo assim aja. "A lei é bastante clara quando diz que qualquer operação de agrupamento de empresas que resulte em 20% do mercado relevante está sujeita ao controle da autarquia federal (neste caso, o Cade)".
Na visão do diretor, a fusão da Ambev com a Interbrew prejudicaria a Schincariol e todos as outras empresas menores no mercado. Segundo ele, essa megaempresa teria muito mais facilidades na compra de insumos. E com uma economia incomparável, eliminaria suas concorrentes. "E a constituição é clara no dispositivo que diz que reprimirá qualquer abuso de poder econômico que vise dominação de mercado, eliminação da concorrência e exagero nos lucros. As três hipóteses são ameaçadas com a fusão".

Schin quer vetar fusão das cervejarias no Cade
Assim como o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) proibiu a fusão entre as empresas Nestlé e Garoto, o diretor jurídico da cervejaria Schincariol, Vinícius Camargo da Silva, acredita que também vetará a união da Ambev com a belga Interbrew. "Entendo que o caminho natural seja vetar essa fusão".
Apesar da indignação pela dominação de mercado relevante que a união das duas cervejarias causaria, diz Silva, a Schincariol ainda analisa o assunto e não tomou qualquer decisão junto ao Cade, mas espera que o Conselho mesmo assim aja. "A lei é bastante clara quando diz que qualquer operação de agrupamento de empresas que resulte em 20% do mercado relevante está sujeita ao controle da autarquia federal (neste caso, o Cade)".
Na visão do diretor, a fusão da Ambev com a Interbrew prejudicaria a Schincariol e todos as outras empresas menores no mercado. Segundo ele, essa megaempresa teria muito mais facilidades na compra de insumos. E com uma economia incomparável, eliminaria suas concorrentes. "E a constituição é clara no dispositivo que diz que reprimirá qualquer abuso de poder econômico que vise dominação de mercado, eliminação da concorrência e exagero nos lucros. As três hipóteses são ameaçadas com a fusão".
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