Falae galera. Abaixo tem uma matéria bem interessante, e acho que vcs irão gostar. O link, caso alguém queira é Link Matéria
O que rádios-relógios e Web sites têm em comum? · 1/6/2002
por Abel Reis
Toda vez que você programa o seu rádio-relógio, usa o equipamento de áudio, o MS Word ou a Amazon.com você está exposto ao que chamamos de interface de usuário. A facilidade ou dificuldade que temos para usar e comandar essas diferentes interfaces é o que define sua usabilidade. Quanto mais simples e intuitivo for o uso de uma interface, maior a usabilidade. O termo tornou-se um aspecto fundamental no projeto (design) de produtos para o mercado de consumo em massa.
Há 30 anos era incomum que produtos de consumo (eletroeletrônicos em particular) fossem projetados levando em conta aspectos como contexto de uso e características cognitivas (como as pessoas pensam e atuam) de seus usuários. Contudo, a competição globalizada obrigou as empresas a diferenciar seus produtos, via de regra, tornando-os mais complexos, com cada vez mais recursos (como enfatizaria qualquer bom vendedor).
Este último fenômeno obriga-nos a considerar o design de um produto não apenas pela ótica de sua engenharia, mas também pela da usabilidade. Como oferecer vários e sofisticados recursos sem dificultar dramaticamente o uso de um produto e sem obrigar seus usuários a ter o manual de operação sempre à mão? Como oferecer uma experiência de uso agradável e diferenciada sem tirar o usuário de seu objetivo principal, seja este imprimir um documento ou comprar um livro? Enfim, como esconder a complexidade numa interface de usuário agradável, ágil e de simples assimilação?
No caso particular de projetos de software (considerando aqui Web sites como um tipo de software), ao longo das duas últimas décadas, consolidou-se uma área de conhecimento própria com base em teorias e métodos da Psicologia Cognitiva e da Engenharia de Software denominada User Interface Design, ou Projeto de Interface de Usuário (IU). Paralelamente, ocorreu a consolidação de mercado dos sistemas operacionais de interface gráfica (ex.: MS Windows), viabilizando a fixação de uma “cultura de uso” de aplicações baseadas em recursos gráficos (janelas, botões, ícones, etc.). Hoje ninguém duvida da importância de empregar conceitos e técnicas de IU para desenvolver sistemas de média-alta complexidade que sejam intensivos em interação com usuários finais.
O boom da internet acabou por transformar o projeto de IU num fator crítico de sucesso para Web sites, tanto do ponto de vista da usabilidade quanto da qualidade visual de apresentação. A internet coloca o desafio de oferecer, em tempo real, sistemas online para milhões de usuários distribuídos, com culturas, perfis e níveis de experiência diversificados. Ou seja, sem projeto de IU adequado, um Web site tem grande chance de dar errado.
Levando tudo isso em conta, é fácil entender porque usabilidade tornou-se uma palavra-chave na indústria de software. Agora cabe a pergunta: o que deve ser considerado no projeto de uma bem-sucedida interface de usuário, em particular, quando falamos de Web sites? Como tudo na vida, projeto de interfaces exige método. Vamos dividir da seguinte forma o processo de criação e desenvolvimento de IU na internet:
Entenda
Antes de mais nada é fundamental entender plenamente os objetivos do Web site, o perfil típico dos seus usuários – em particular, idade, instrução e experiência com sites similares – bem como o contexto de uso. Em última instância, você precisa saber para quem e como a interface será usada. Óbvio? Nem tanto. Exemplificando: é muito diferente o projeto de interface para um Web site que vende medicamentos de outro que comercializa roupas. A rigor, ambos vendem para, eventualmente, os mesmos públicos. Mas os contextos de uso (lugar, motivação, disponibilidade mental, urgência) são muito diferentes.
Desenhe e simule
Uma vez que estão identificados os objetivos, públicos e contexto de uso é chegada a hora de formular o escopo da interface. Ou seja, que serviços e conteúdos serão oferecidos aos usuários. Exemplo: ao apresentar uma peça de vestuário, apresentaremos também recomendações de outros itens?
Com o escopo pronto, o passo agora é desenhar todas as telas às quais os usuários estarão expostos. Cada uma delas corresponderá a um momento (estado) da interação do usuário com a interface do Web site. Exemplo: ao clicar num link de “busca avançada” da tela “home” de uma loja de departamentos virtual, via de regra, chega-se a uma tela específica de configuração dos parâmetros de busca.
Ao fechar uma seqüência lógica de telas, devemos simular sua utilização de forma exaustiva visando a identificar: ausência de telas, ausência de serviços e conteúdo previstos no escopo, oportunidades para simplificar ou melhorar processos, potenciais pontos de dificuldade de entendimento por parte dos usuários. Veja que este estágio não implica em desenvolvimento de software. Tudo pode ser feito no papel ou em telas estáticas no computador. Por vezes, neste estágio de simulação pode-se envolver grupos de usuários finais com o objetivo de validar conceitos e premissas.
Construa
De posse das telas desenhadas, é chegada a hora de implementar tecnicamente a interface. As boas práticas de desenvolvimento de software recomendam dividir um Web site em três camadas: apresentação, lógica de negócios e dados. Seguindo esta abordagem você codificará as telas em HTML ou mesmo ASP ou JSP, de forma a isolar os componentes da camada de apresentação dos componentes que implementam transações, acesso a bancos de dados, integração com sistemas legados.
Esta abordagem permite alocar equipes diferentes, em paralelo. Quanto mais complexo, dinâmico e transacional for um Web site, mais benefícios tira-se dessa abordagem. Outro ponto importante: não é preciso desenhar todas as telas para então começar sua programação. Pode-se dividir o processo em etapas e evoluir de forma incremental.
Avalie
O fato de você ter aprovado a interface em tempo de Desenho não significa que na prática tudo será como você espera. Ao implementar tecnicamente uma interface, muitas vezes percebe-se pontos de lentidão, redundâncias indesejáveis, gaps de informação que podem tornar incompreensível alguma tela, etc. Para minimizar tais problemas, o melhor é conduzir uma avaliação completa e minuciosa da interface sob a forma de grupos de usuários reais que testam o produto final antes de seu lançamento em larga escala. Naturalmente quanto mais cuidadosa for a fase de Desenho menos problemas serão detectados nesta última etapa.
* Abel Reis é vice-presidente de tecnologia e projetos da AgênciaClick
Matéria Publicada na Revista Business Standard - Maio/2002 artigo publicado em: Revista Business Standard
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