Mãe ao telefone, orgulhosa, contando para sua amiga sobre seu filho diretor de arte em uma agência de propaganda:
- Puxa precisa ver Marta, meu filho é Diretor de arte. É ele quem manda no estúdio de arte. Não sei não, mas acho que é diretor da agência toda…
- É bem provável amiga, pelo nome né? – diz a outra.
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Outra Mãe contando à sua amiga sobre um filho, também diretor de arte, em outra agência:
- Olha, meu filho é muito talentoso, sabe? Ele faz desenhos lá… faz artes também…
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Uma tia exaltando sua sobrinha para a vizinha:
- Bom, na empresa que minha sobrinha trabalha é ela a diretora, sabe? Pois ocupa o cargo de diretora de arte…
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Bem, como vemos, esses exemplos ilustram bem uma parte da realidade corriqueira do nosso dia-a-dia fora das agências de propaganda. Cai muito bem a pergunta: quem é essa figura o diretor de arte afinal? O que faz essa espécie? Como pensa?
Essa espécie está entre nós. Age, pensa, tem atitudes como a todos, nem sempre normais, mas as tem. Então, qual diretor de arte já não se pegou tentando explicar-se, frustradamente, para sua mãe, tio ou tia sobre sua função na agência aonde trabalha?
- Olha, deixa eu tentar explicar de novo… eu trabalho com criação, entende?
- Como é? De bicho? Ah… fazenda então?
E por aí vão as mais variadas interpretações. Por mais que tentemos mostrar à maioria fora do meio nossa tão normal função, não obteremos muito êxito. Normal, não é culpa deles. Direção de arte é uma função muito específica, a aplicação desta é bastante particular, seja na mídia impressa ou vídeo, mais ou menos como um grupo fechado, e aí acaba não sendo tão evidente ao grande público.
Foram inúmeras as vezes em que eu me peguei tentando explicar o que eu fazia e o máximo que saía era:
- ah, então vc faz desenhos?
- ah, vc pinta as fotos, é isso?
- esse necócio de recortar imagens que vocês fazem… é na tesoura ou no estilete?
Não quero ser nostálgico mas há 13 anos atrás, eu até recortava fotos, ao pé da letra, para “pastapear” layouts mas, hoje é claro que isso acabou de certa forma, agilizando todo o processo.
Certa vez eu estava indo mostrar a pasta em uma agência e precisei pedir uma informação à uma pessoa na rua. Foi quando lançou-me aquela fulminante pergunta, logo após ter me dado a informação que eu precisava:
- Você trabalha com vendas?
- Não, não, eu trabalho com publicidade.
- Ah, você vende espaços de publicidade então, é isso? Por isso a pasta?
- Não, não seria bem isso… mas tudo bem, obrigado pela informação.
Me despedi educadamente e saí.
Assim, contemplados os diversos exemplos acima sobre as tentativas frustadas de explicarmos à sociedade o que fazemos, vemos então que é melhor ficarmos com esse nosso mundinho, né? E esperamos que um dia possamos ainda falar mais comumente para as pessoas sobre nossa função, e aí talvez paremos de ser encarados como ETs em algumas situações.
Diretor de arte, essa figura que trabalha com imagens e figuras codificadas.
- Ah, já sei… então você mexe com figurinhas??? (expressão de êxito, comemoração, denotando: agora eu entendi!)
Deixa pra lá.
Dados do Autor da materia:
Adilson Quadros,
adilsonquadros@onda.com.br
Alguns trabalhos do autor da materia:

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