Recentemente a Federasul trouxe a Porto Alegre um dos mais completos publicitários do país para falar a profissionais de comunicação no Meeting de Marketing. José Francisco Eustachio vem da área de pesquisa e planejamento e hoje é sócio e diretor de uma das mais respeitadas agências de propaganda do país, a Talent.
Diante das grandes transformações que o mercado publicitário vem experimentando nos últimos anos, Eustachio afirma que os clientes necessitam de respostas novas para os novos cenários que se apresentam. Segundo ele, as agências não devem mais utilizar-se apenas dos anúncios e dos recursos tradicionais da publicidade, mas sim fazer diagnósticos com o objetivo de ajudar o cliente a entender os mecanismos de definição do consumidor, cada vez mais solicitado e em constante transformação.
Eustachio comenta o perfil do novo profissional. Para ele, é alguém com coragem de desaprender o que sabe porque os parâmetros mudaram. Alguém que busca novos conteúdos, faz diagnósticos, tem os olhos voltados para outras realidades, enfim, alguém que tem novas competências assume responsabilidades inusitadas e constrói cenários novos. “O cliente quer falar do seu negócio e não de propaganda”, afirmou. Ou seja, menos publicitário e mais homem de mercado, que entende a realidade fora da agência.
Ele citou como exemplo as transformações da indústria. Só na área de massa de tomate existiam, até há bem pouco tempo, três marcas: Peixe, Cica e Etti. Hoje, são 87 marcas. Os bancos, para abrir agências, precisavam comprar cartas-patente.
A indústria era a responsável pelas maiores verbas publicitárias.
Agora, grande parte dessa verba migrou para o varejo
Hoje, nada disso é preciso. Para abrir um posto de gasolina era necessária uma autorização especial. Havia controle de preços e quase nada podia ser importado.
A indústria era a responsável pelas maiores verbas publicitárias. Agora, grande parte dessa verba migrou para o varejo, que faz campanhas cooperadas. Exemplo? A verba da (indústria) Nestlé, um dos maiores anunciantes do país, foi de R$ 4 bilhões, enquanto que a do Pão de Açúcar (varejo) foi de R$ 12 bilhões.
Mas as mudanças não ficam por aí. Atualmente exige-se das empresas maior responsabilidade social. Alguns números mostram que as empresas socialmente responsáveis podem faturar até 40% mais, pois o consumidor, cada vez mais exigente e informado, acaba buscando aquelas que assumem tais responsabilidades.
Diante desse quadro, a receita que Eustachio nos oferece deve ser encarada com muita seriedade, se não quisermos ficar rapidamente obsoletos e desnecessários.
Alfredo Fedrizzi
Sócio-diretor da Escala
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O NOVO PUBLICITÁRIO ARTIGO: ALFREDO FEDRIZZI
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