Sumô é um esporte de raciocínio e estratégia. Por mais que o tamanho paquidérmico de seus contendores sugira o contrário, é preciso levar em consideração uma enorme quantidade de variáveis nos microssegundos em que se examina o adversário antes de encontrá-lo. Não há folga para apalpar, tempo para vacilar ou espaço para se recuperar. Se o impacto não for preciso e rápido, a segunda chance é quase impossível. Desarmados e perigosos, os rikishi devem impressionar seus adversários ao mesmo tempo que não se deixam intimidar por eles, caso contrário estarão fora de combate. Quase nus e com os músculos à mostra, suas intenções não poderiam ser mais claras. Na aparente igualdade de condições, sua maior diferença costuma estar na forma com que pensam.
Os negócios digitais deveriam se comportar da mesma forma. A transparência, compatibilidade, interligação e fácil acesso a códigos-fonte com que foi construída a Internet deveria permitir a seus empreendedores uma competição aberta, em que cada novo golpe ou movimento fosse claramente visível e pudesse ser estudado detalhadamente. Até mesmo plataformas fechadas, como Apple e Sony, podem ser analisadas de fora para dentro, permitindo a criação de objetos e processos de logística similares. As réplicas chinesas deixam claro que isso não pode ser tão difícil.
No entanto, para surpresa geral, o que acontece é exatamente o contrário. Cada inovação de porte que surge parece atordoar a concorrência como uma pistola de eletrochoque, imobilizando-a temporariamente e desviando-a de seu foco. Seu efeito é o de uma arma que, apesar de não ser mortal nem causar ferimentos graves, paralisa e atordoa seus adversários, ganhando para quem a disparou o tempo necessário para se estabilizar e conquistar o espaço desejado.
Leia mais (26/10/2011 - 07h01)
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Pistola de eletrochoque
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