Eu nem sei bem como começar este post. Tinha grande expectativas relativamente a esta suite. Mas depois de ter estado de volta da última versão do InDesign, o que fica é um certo desencanto por verificar que a Adobe “apenas” apostou na interactividade, deixando (mais uma vez) para trás features inquestionáveis que parece terem ficado cristalizadas.
Ponto prévio: acho as novas features do IDCS5 excelentes, abrindo uma via que estava moribunda e que agora “liga” o InDesign a outras aplicações de forma mais eficaz, nomeadamente o Flash. Mas não resisto a perguntar: onde estão os melhoramentos ao nível de documentos longos ou, numa escala mais pequena, de layout? A Adobe não tem mais nenhum programa nesta área dirigido a paginadores, e a alternativa (o QuarkXPress) está a anos-luz a nível de qualidade e workflow. O que significa que algumas das formas tortuosas de trabalhar continuarão nesta versão do IDCS5.
Uma outra questão surge: com tanta interactividade no CS5, haverá mercado para tal? Não há mais nenhum programa que o faça? Vamos começar de repente a criar e-books e PDF’s interactivos a toda a hora? O que é que digo ao cliente? “desculpe, mas para fazer um livro com índices, footnotes limitadas e toc’s vai demorar bastante, mas se quiser que coloque esta ventoinha em movimento para ver no seu iPad, ou no Flash, isso é num instante!”
No meu último post, sobre o TypeFit, escrevia que já devia ter sido implementado no CS2, e não como um plug-in externo. Tenho a mais completa consciência que sem os criadores de scripts e plug-ins para o InDesign, a (nossa) tarefa seria mais árdua. Felizmente o TypeFit, como tantos outros plug-ins e scripts, é grátis, o que, mesmo que tenha a limitação de correr em algumas versões, não deixa de ser uma mais valia na produção.
Mudando o rumo para um core fundamental do InDesign, os documentos longos, o que (não) há de novo? Vejamos.
Há anos que a Adobe tem consciência da dificuldade por parte dos utilizadores de trabalhar com footnotes. Além de não permitir dois tipos de footnotes na mesma caixa de texto (números e asteriscos, por exemplo), não é possível ter uma página a 2 colunas com footnotes a ocupar a largura da mancha. Além disso, só com um script (bendito!) é possível criar endnotes, apesar do contrário ser possível.
Por outro lado, é incrível que se continue a não ser possível criar footnotes em tabelas.
Esta feature, continua sem um único desenvolvimento desde a versão CS3. Mais uma vez, o InDesign é o único programa da Adobe que cria este tipo de fluxo. Quem trabalha com índices complexos, sabe bem as limitações existentes. Há anos que os utilizadores de InDesign aguardam a criação de entradas de um índice através de um Character Style ou mesmo por cor.
Um dos melhores automatismos do InDesign continua sem poder ser aplicado a duas linhas. Como as variáveis (tal como os TOC’s) vão buscar a formatação existente no parágrafo (tabs, idents, forced line break, etc.), ainda não foi desta vez que foi implementado um Override para que a variável elimine estas funções necessárias no texto mas redundantes na variável. Nem a possibilidade de aplicar Bullets and Numbering nas variáveis é ainda possível.
Outra feature parada. Mais uma vez, desde a versão CS3 mantém-se estática e imutável. Devia haver a possibilidade de criar Table of Images sem necessidade de aplicar texto numa Layer escondida, ou qualquer outro procedimento mais obscuro.
Esta feature, bem implementada no CS4 é uma dor de cabeça para aplicar a texto. Era bom que nesta versão tivesse surgido a opção de aplicá-la através de um Paragraph Style.
A utilização e integração do XML continua a não ser nada user-friendly (pelo menos para mim).
O formato INX desaparece para dar lugar apenas ao formato IDML. Infelizmente só se pode abrir um documento de InDesign na versão anterior e não duas versões para trás. À velocidade que vão saindo versões CS, esta restrição continua a não ser positiva.
A falta de uma palete History, brilhantemente desenvolvida nas Blattner Tools.
Olhando para alguns dos novos Panels do IDCS5 o que temos é uma feature editorial (Track Changes), um melhoramento dos Layers, e o resto… interactividade.

Enquanto que na versão CS4, os GREP Styles e o Preflight fizeram a diferença, não consigo ver nesta versão algo que seja realmente imprescindível, excepto na interactividade.
Repito mais uma vez, que não estou a minimizar as novas features interactivas do InDesign, antes pelo contrário, e é certo que ainda não mexi a fundo no CS5. E, para memória futura, serei o primeiro a dar a mão à palmatória se verificar que este post afinal, estava errado.
Bom CS5!
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